segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Santa Sé: "Cultura de inclusão é responsabilidade de todos"

2014-10-20 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV)

O Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, presidido pelo cardeal francês Jean-Louis Tauran, enviou na manhã de segunda-feira, 20, a tradicional mensagem para a festa ‘Deepavali’, que a comunidade hindu celebra este ano em 23 de outubro.
O tema da festa, nesta edição, é “Promover juntos uma cultura de inclusão”, que enfrenta a questão da crescente discriminação, violência e exclusão em todo o mundo.
A mensagem parte do pressuposto que a globalização abriu muitas fronteiras e forneceu novas oportunidades para desenvolver, entre outras coisas, melhores chances educacionais e de saúde. “Ela deu início a uma maior consciência da democracia e da justiça social no mundo, e nosso planeta tornou-se verdadeiramente uma ‘aldeia global’, graças também aos modernos meios de comunicação e de transporte. No entanto, é preciso ressalvar que a globalização não atingiu o seu objetivo primordial de integrar as populações locais e a comunidade global. Em vez disso, a globalização tem contribuído significativamente para que muitos povos percam suas identidades socioculturais, econômicas e políticas”.
Os efeitos negativos da globalização também tiveram um impacto sobre as comunidades religiosas em todo o mundo e na verdade, a globalização tem contribuído para a fragmentação da sociedade e o aumento do relativismo e do sincretismo em questões religiosas. O fundamentalismo religioso e a violência étnica, tribal e sectária em diferentes partes do mundo hoje se expressam com manifestações de descontentamento, incerteza e insegurança entre os povos, especialmente os pobres e marginalizados, que foram excluídos dos benefícios da globalização.
A mensagem prossegue refletindo sobre outras consequências negativas da globalização: o materialismo e o consumismo generalizados, que têm tornado as pessoas mais egoístas, sedentas de poder e indiferentes aos direitos, necessidades e sofrimentos dos outros.
É o que o Papa Francisco define como “globalização da indiferença”, que nos faz lentamente acostumar com o sofrimento alheio e fecharmo-nos em nós mesmos (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 2014). Tal indiferença dá origem à “cultura da exclusão”, em que aos pobres, marginalizados e vulneráveis são negados os seus direitos, bem como as oportunidades e os recursos que estão disponíveis para outros membros da sociedade.
“São tratados como insignificantes, dispensáveis, onerosos e desnecessários, são usados e até mesmo descartados como objetos. De várias maneiras, a exploração de crianças e mulheres, a negligência com os idosos, doentes, migrantes e refugiados, e a perseguição de minorias são certamente indicadores desta cultura de exclusão”.
A Santa Sé, por meio deste Pontifício Conselho, afirma que “criar uma cultura de inclusão é um convite comum e uma responsabilidade partilhada que deve ser urgentemente realizada".
Concluindo, os votos são que “fundamentados em nossas próprias respectivas tradições religiosas e convicções comuns, que possamos, hindus e cristãos, unidos a fiéis de outras religiões e pessoas de boa vontade, promover uma cultura de inclusão em prol de uma sociedade justa e pacífica”.
A mensagem é assinada pelo Cardeal Jean-Louis Lauran e pelo Padre Ángel Ayuso Guixot, Secretário do seu dicastério.(CM)

domingo, 19 de outubro de 2014

Remédios na natureza faz peixes machos ficarem femininos

Peixe

Características femininas em peixes machos foram notadas pela primeira vez nos anos 90.
Nós, seres humanos, tomamos paracetamol para dor de cabeça, contraceptivos para evitar a gravidez e Prozac para a depressão.
Mas para onde vão os resíduos destas substâncias uma vez cumprida a sua função?
O corpo humano elimina muitos dos medicamentos que ingerimos através da urina. A urina vai para os esgotos e, depois de atravessar um sistema imperfeito de purificação, os resíduos desembocam nos rios que alimentam o planeta.
Embora as concentrações de drogas na água sejam baixas, as conseqüências destas para os ecossistemas não deixam de ser preocupantes: desde peixes machos que adquirem características femininas até aves selvagens que perdem a vontade de comer, além de populações inteiras de peixes e outros organismos aquáticos dizimadas.
Diversos estudos sobre o impacto da poluição farmacêutica sobre a vida selvagem apontam que o uso crescente de drogas projetadas para serem biologicamente ativas em baixas doses pode estar causando uma crise global da vida selvagem.
"As populações de muitas espécies que vivem em paisagens alteradas pelo homem estão encolhendo por razões que não podemos explicar completamente", disse a pesquisadora Kathryn Arnold, da Universidade de York, na Inglaterra.
"Acreditamos que é hora de explorar novas áreas, como a poluição farmacêutica."

Machos femininos

Para os seres humanos, no entanto, a presença de drogas em baixa concentração na água não é um problema: seria necessário tomar entre 10 milhões e 20 milhões de litros de água da torneira para ingerir medicação suficiente para, digamos, aliviar uma dor de cabeça.
No caso dos peixes, a história é outra.
O biólogo John Stumper, da universidade britânica de Brunel, foi um dos primeiros a estudar os peixes machos com características femininas descobertos na década de 90.

Estorninhos voam no céu de Roma
Estorninhos, como os que voam nos céus de Roma, são afetados por drogas encontradas na água
"A primeira coisa que descobrimos foi que havia muitos peixes nos rios que tinham proteína do sangue que é comumente conhecida como a gema. A síntese desta proteína no fígado é controlada pelo (hormônio) estrogênio", disse a Stumper à BBC.
Ele explica que mesmo os peixes machos - que não produzem quantidades significativas de estrogênio e, portanto, não têm gema - apresentavam uma alta concentração dessa proteína. "Especialmente aqueles que habitavam os rios perto de uma estação de tratamento ", notou Stumper.
"Uma vez que eram os machos que estavam se tornando mais femininos e não o contrário (fêmeas adotando características mais masculinas), achamos que a causa poderia ser o estrogênio."
Stumper estava certo: estudos posteriores confirmaram que essas mudanças estavam relacionadas à presença de resíduos de contraceptivos na água.
"Em nível molecular, os peixes são extremamente semelhantes a nós", disse o biólogo. Assim, quase todos os fármacos para seres humanos têm um efeito sobre os peixes.

Impactos

De acordo com um relatório da Agência Federal Ambiental da Alemanha, as drogas para os seres humanos que mais causam desequilíbrios ambientais são os hormônios, antibióticos, analgésicos, antidepressivos e drogas para combater o câncer.
Entre os medicamentos veterinários, o relatório destaca os hormônios, antibióticos e parasiticidas.
Assim como os hormônios sexuais sintéticos, os antidepressivos se dissolvem em gordura, não na água. Por isso, podem entrar na corrente sanguínea dos organismos expostos à água contaminada.
Um estudo de Kathryn Arnold que deve ser publicado no fim deste mês sugere que este fator está afetando o comportamento e a capacidade dos estorninhos, um tipo de pássaro, de se alimentar.

Estação de tratamento de água
Pode-se melhorar qualidade do tratamento da água, mas solução é custosa
Arnold e colegas da Universidade de York analisaram como o Prozac impacta essas aves, que se alimentam de lagartas, vermes e moscas em áreas próximas a estações de tratamento de resíduos.
Estes organismos, por sua vez, se alimentam de alimentos encontrados na área - em geral, contendo altos níveis de fármacos, principalmente Prozac.
"No inverno, as aves tendem a consumir um bom café da manhã, beliscar ao longo do dia e comer bem antes de escurecer", disse a pesquisadora.
Sob o efeito do antidepressivo, elas não faziam isso: em vez de duas grandes refeições, elas comiam esporadicamente ao longo do dia e, no cômputo geral, comiam menos.
"Esse comportamento pode afetar o seu peso, os riscos que decidem correr ou não para obter alimentos e como se socializam", afirma a cientista.
"São variações pequenas e sutis mudanças que vão se somando e, no fim, podem comprometer a sobrevivência de uma espécie."

Uso excessivo?

Se o problema tem origem na água de resíduos, talvez a solução passe por reduzir a presença de farmacêuticos que vai parar em rios e córregos.
Pode-se, por exemplo, desenvolver métodos mais eficientes de tratamento da água. Mas esta pode ser uma solução cara e gerar um gasto de energia muito elevado.
Ole Phal, professor da Universidade de Glasgow Caledonian, defende uma abordagem que inclua uma discussão sobre a produção e o uso de medicamentos.
"Estamos tomando (medicamentos) demais? Estamos utilizando-os corretamente? Existe alguma maneira de se desfazer deles que seja mais benéfica para o meio ambiente?", questiona Phal.
"Precisamos refletir sobre o nosso uso de drogas farmacêuticas."

Fonte http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141017_remedios_natureza_pu

sábado, 18 de outubro de 2014

Os mitos e as verdades sobre o ebola

Ebola (Thinkstock)

O período de incubação do ebola é de 21 dias; surto da doença já matou matou mais de 4.500 pessoas
O surto do ebola já matou mais de 4.500 pessoas, a maioria na Libéria, Guiné e Serra Leoa, e países do Ocidente ampliam medidas para tentar conter a disseminação do vírus.
Autoridades sugerem que as pessoas evitem o contato com pacientes contaminados, já que o vírus se espalha por fluidos corporais. Além disso, profissionais da saúde devem usar equipamentos de proteção e qualquer equipamento médico deve ser descontaminado.
Apesar de uma campanha de conscientização, há mitos sobre a disseminação da doença. Veja abaixo os mais populares - e as explicações verdadeiras.

O vírus se propaga pelo ar, pela água e é contraído através do contato com quem está contaminado

Ebola (Reuters)
Mulheres curadas do ebola posam para foto na Libéria, o país mais atingido pelo atual surto da doença
O contágio se produz quando os fluidos corporais de um indivíduo infectado toca alguma das membranas mucosas de alguém que não está contamiado.
Isso quer dizer que o sangue, o suor, a urina ou as fezes do portador do vírus têm que entrar em contato com os olhos, os orifícios nasais, a boca, os ouvidos, a área genital ou uma ferida aberta para contrair a doença.
O contato com lençóis, roupas ou superfícies infectadas pelo vírus também pode causar o contágio, mas apenas se houver algum corte na pele.

É possível ser contaminado por alguém que aparenta estar saudável

É muito improvável que isso aconteça, mesmo se alguém for portador do vírus.
A razão é que os sintomas podem demorar até 21 dias para aparecer - período máximo de incubação da doença. E até que os sintomas sejam visíveis, não há contágio.
Uma pessoa só pode transmitir a doença se o vírus estiver em seu sangue e secreções.

Não se contrai o vírus através de relações sexuais

Ebola (Thinkstock)
Recomenda-se abstinência sexual ou o uso de preservativos para quem teve o vírus
Se um homem tem ebola, o vírus pode estar presente nos seus fluidos corporais, incluindo o sêmen. A Organização Mundial da Saúde acredita que o vírus pode permanecer nos fluidos do indivíduo até sete semanas após o paciente ter se recuperado.
Mas outros especialistas sugerem que a doença pode permanecer por até três meses, mesmo se médicos confirmarem não haver partículas virais no sangue.
Quem já teve ebola deve abster-se de relações sexuais ou usar preservativos durante esse período.

Alguém que morreu não pode espalhar a doença

Ebola (Thinkstock)
Enterros devem ser realizados por pessoas treinadas e com equipamentos para evitar disseminação do vírus
Embora o indivíduo tenha morrido, o vírus ainda pode estar presente. Por isso, especialistas em epidemiologia temem que a disseminação ocorra em práticas funerárias tradicionais realizadas em alguns países africanos, nas quais parentes ficam em contato direto com os mortos.
Nestes casos, a OMS recomenda o enterro imediato e o uso de luvas e roupas de proteção para o indivíduo que manipula o corpo.
Recomenda-se, também, o treinamento daqueles que lideram os funerais sobre os procedimentos a serem seguidos para evitar que a infecção se espalhe.

Um paciente pode transmitir a doença, mesmo que ele tenha se recuperado

Ebola (Getty)
Profissionais da saúde devem usar equipamentos de proteção ao tratar de pacientes com ebola
Normalmente, apenas as pessoas que têm os sintomas podem espalhar o vírus.
No caso de uma mulher grávida que recebeu alta, recomenda-se que ela não amamente o bebê.

Antibióticos, água salgada, leite e cebola crua podem prevenir o ebola

O consumo destes alimentos não impede a contaminação pelo ebola. Além disso, a ingestão de água salgada - que alguns acreditam que pode curá-los da doença - pode ser perigosa, especialmente em dias quentes.
A OMS cita dois casos de pessoas na Nigéria que morreram por essa razão.
No momento não há cura para o ebola, mas vacinas estão sendo testadas. Se os testes forem bem sucedidos, profissionais de saúde terão prioridade em receber as injeções.

Você tem que usar produtos antissépticos caros para eliminar o vírus

Ebola (Thinkstock)
É recomendado lavar as mãos com frequência, com álcool em gel ou sabão e água limpa
Recomenda-se lavar as mãos com frequência, especialmente se você estiver perto de um paciente com o ebola.
O álcool em gel pode ser útil, mas se as mãos estiverem visivelmente sujas, é importante lavar com sabão e água limpa, segundo autoridades sanitárias.

Este é o primeiro grande surto de Ebola

Ebola (CDCP)
O primeiro surto do ebola foi registrado no Sudão e na República Democrática do Congo, em 1976
Este é o surto que causou mais mortes, mas não é o primeiro.
Segundo a OMS, o vírus foi diagnosticado pela primeira vez em humanos em 1976, no Sudão e na República Democrática do Congo.
O surto ocorreu em uma aldeia perto do rio Ebola, daí o nome da doença. Cerca de 500 pessoas foram infectadas e 400 morreram.
Desde então, várias cepas do vírus surgiram no continente africano.

Fonte http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141014_ebola_mitos_hb

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Alimentar o mundo, cuidar do planeta: mensagem do Papa para o Dia Mundial da Alimentação



2014-10-17 Rádio Vaticana


É necessário reconhecer cada vez mais o papel da família rural e desenvolver todas as suas potencialidades – adverte o Papa Francisco numa mensagem enviada neste dia 16 de outubro ao diretor geral da FAO, José Graziano da Silva (foto), a propósito do Dia Mundial da Alimentação – este ano dedicado precisamente ao tema “Agricultura familiar : alimentar o mundo, cuidar do planeta”.
Na sua mensagem ao responsável da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, observa o Papa: “Defender as comunidades rurais perante as graves ameaças da ação humana e os desastres naturais não deveria ser apenas uma estratégia, mas sim uma ação permanente que favoreça a participação na tomada de decisões, que ponha ao seu alcance tecnologias apropriadas e estenda o seu uso, respeitando sempre o meio ambiente. Atuar assim pode modificar a forma de levar a cabo a cooperação internacional e ajudar aos que passam fome e sofrem desnutrição. A mensagem papal chama a atenção para o facto de que, para vencer a fome, não basta socorrer os mais desfavorecidos com ajudas e donativos aos que estão em situação de emergência. “É necessário também alterar o paradigma das políticas de ajuda e desenvolvimento, modificar as regras internacionais em matéria de produção e comercialização dos produtos agrícolas, garantindo aos países nos quais a agricultura representa a base da sua economia e sobrevivência a autodeterminação do seu mercado agrícola.”
“Até quando se continuará a defender sistemas de produção e de consumo que excluem a maior parte da população mundial, incluindo as migalhas que caem das mesas dos ricos? Chegou o momento de pensar e decidir a partir de cada pessoa e comunidade e não desse a situação dos mercados.” Para tal, haverá que “mudar também o modo de entender o trabalho, os objetivos e atividade econômica, a produção alimentar e a proteção do ambiente. Talvez esta seja a única possibilidade de construir um autêntico futuro de paz, que hoje se vê ameaçada também pela insegurança alimentar”.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

'Perdi minha loja e tudo que tinha', diz cristão vítima do 'Estado Islâmico' no Iraque

Dale Gavlak


Cristão iraquiano na Jordânia (Reuters)
Centenas de iraquianos buscaram refúgio na Jordânia após deixarem Mosul diante da ameaça de militantes do Estado Islâmico
Primeiro, eles fugiram para o norte e a cidade de Irbil. Agora, cerca de 1.800 cristãos iraquianos de Mossul e arredores, expulsos por militantes do grupo autointitulado 'Estado Islâmico', encontraram abrigo na vizinha Jordânia.
Há 1.600 anos que Mossul está no coração da cultura cristã no Iraque. Até meados deste ano, quando os cristãos locais foram forçados a se converter ao Islã, fugir ou morrer.
"Minha filha foi a primeira a nascer no exílio", diz Abu Safwan, carregando a pequena criança em seus braços, em meio ao barulho dos deslocados cristãos iraquianos abrigados em um centro católico nos arredores da capital jordaniana, Amã.
"Militantes do 'Estado Islâmico' nos arrancaram e nos expulsaram do nosso país. Saímos de Mossul quebrados", diz Safwan. "Eles tomaram nossas casas e empresas e mataram nosso bispo Faraj e os padres Ragheed e Boulous. Como a gente vai poder voltar para lá?"
No início deste mês, a Organização das Nações Unidas disse que militantes do 'Estado Islâmico' cometeram diversos abusos de direitos humanos e "atos de violência de natureza cada vez mais sectária no Iraque".
A entidade alegou que o grupo realizou possíveis crimes de guerra, incluindo execuções em massa, uso de crianças como soldados e o sequestro de mulheres e meninas para serem usadas como escravas sexuais.

'N' de cristão

Os cristãos também dizem que o 'Estado Islâmico' cometeu "crimes contra a humanidade" contra eles e outras minorias do Iraque, como os yazidis, e pedem ajuda internacional.
"Eles colocaram uma letra vermelha 'N' na minha casa, de 'nasrani', que significa cristão em árabe, e declarou que ela era propriedade do 'Estado Islâmico'. Perdi minha loja, tudo o que eu já tive na vida", disse Abu Suleiman, de 60 anos, também de Mossul.
"Como vou viver depois disso? Todos os nossos direitos humanos foram violados. Agora, eu ouvi que um militante do Afeganistão está vivendo na casa da minha família. Isto é inaceitável para nós", diz ele, balançando a cabeça.
Cristãos no Iraque (Reuters)
Famílias inteiras de cristãos iraquianos buscaram refúgio na Jordânia
Cristãos iraquianos (EPA)
Segundo a ONU, militantes do EI cometeram diversos abusos e violência de natureza cada vez mais sectária no Iraque
Os sete membros da família Suleiman fugiram para a área de controle curdo no norte do Iraque e dormiram sob árvores antes de chegarem à Jordânia.
"Nós só sobrevivemos porque fugimos da cidade no início da manhã. Outros cristãos tiveram seus carros, ouro, dinheiro e até mesmo fraldas roubadas por militantes do 'Estado Islâmico'".
A maioria está, agora, sem dinheiro, após ter fugido apenas com as roupas do corpo, e depende da generosidade dos outros.
Os iraquianos vieram à convite do rei jordaniano Abdullah 2º, com apoio da agência de ajuda humanitária católica Cáritas. O último grupo chegou na semana passada.

'Cidade virou um beco'

O empresário Jassam Hanna disse que Mossul foi transformada em um "beco escuro (típico de) filme" após ser tomada pelo 'Estado Islâmico' em junho.
"Homens circularam pelas ruas com espadas. Como isso pode estar acontecendo no século 21? Não há humanidade no Iraque. Ele está morto", disse ele, com raiva, a representantes católicos e muçulmanos jordanianos.
O pai de Hanna construiu um negócio próspero ao longo dos últimos 40 anos, com três lojas, disse ele. Mas, depois da ocupação pelo 'Estado Islâmico', um militante disse a Hanna que ele deveria "pagar" para manter sua loja.
Iraquianos em Irbil (AFP)
Cristãos também buscaram refúgio em Irbil, na região curda do Iraque; outras minorias também foram ameaçadas com avanço do EI
Cristã iraquiana (Reuters)
Famílias iraquianas deslocadas também estão vivendo em campos de refugiados pelo país
Além disso, o cristão, de 33 anos, disse que um adolescente chegou à casa da família e anunciou ser o novo "governador."
"Ele declarou que a região fazia parte do 'Estado Islâmico', incluindo a minha casa e propriedade. Basta. Isto é propriedade da minha família e nós trabalhamos para isso", diz Hanna. "Mas, no final, tivemos que fugir para (salvar) nossas vidas", diz Suleiman.
Os refugiados cristãos dizem que nem tropas iraquianas nem americanas foram a Mossul para ajudá-los quando o 'Estado Islâmico' sitiou a segunda maior cidade do Iraque.
"Os Estados Unidos não fizeram nada por Mossul quando os cristãos foram forçados a fugir da cidade", diz Suleiman. "Foi uma história diferente quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait em 1990."
Os EUA iniciaram uma ofensiva aérea contra alvos do 'Estado Islâmico' em agosto, num esforço para ajudar yazidis presos no Monte Sinjar escaparem dos militantes.
John Allen, enviado americano para a coalizão contra o grupo, disse recentemente que a campanha militar para retomar Mossul poderá levar até um ano para ser planejada, pois exige grande preparação.

Fonte http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141014_ei_cristao_hb

Comer mais gordura pode ser bom para a saúde

Alimentos (Foto: Thinkstock)

Estudos ão a entender que comer gordura pode ser benéfico para a saúde
Ao contrário do que diz o senso comum e os conselhos de muitos médicos dos últimos anos, comer mais gordura pode ser benéfico para a saúde.
Diversos estudos recentes apontam para o fato de que certos tipos de gorduras – e não todos - podem sair da lista de "vilões", seja para quem quer emagrecer ou evitar problemas cardíacos, afirma o médico Michael Mosley, que apresenta o programa da BBC Trust me, I'm a Doctor (Confie em mim, eu sou médico, em tradução livre).
"Essas pesquisas são o tipo de notícia que faz com quem você queira jogar na pia aquele leite desnatado que você usa no seu cappuccino", diz Mosley.
Se a crença era a de que gorduras saturadas criavam coágulos nas artérias e engordavam, novas evidências mostram que consumi-las pode, na verdade, ajudar a perder peso e ser benéfico para o coração.
No início do ano, por exemplo, um estudo liderado pela British Heart Foundation causou polêmica. Cientistas de Oxford, Cambrige e Harvard, entre outros, examinaram a ligação entre o consumo de gordura saturada e doenças cardíacas.
Apesar de analisar o resultado de quase 80 estudos envolvendo mais de meio milhão de pessoas, eles não encontraram evidências convincentes de que comer gorduras saturadas implicava em um maior risco de problemas cardíacos.
Mais do que isso, quando analisaram os testes sanguíneos, eles descobriram que altos níveis de gorduras saturadas estão associados com menor risco de doenças coronárias. E isso é válido especialmente ao tipo de gordura saturada encontrada no leite e outros laticínios, conhecido como "ácido margárico".
A pesquisa provocou desconfiança por parte de alguns especialistas, que temem que o resultado possa confundir as pessoas e que passe não uma mensagem de que é ok consumir mais de algumas outras formas de gordura, mas sim de que é ok comer muito mais gordura saturadas até em doces.
E isso é preocupante, segundo eles, porque é sabido que os altíssimos níveis de obesidade no mundo vem sendo inflamado por petiscos como muffins, bolos e salgadinhos, todos com altos índices de gordura, açúcar e caloria.
Professora Kay-Tee Khaw, de Departamente de Saúde Pública da Universidade Cambridge, foi enfática ao dizer que a pesquisa não é uma licença para se encher de junk food. Mas ela concordou que os resultados tornam o cenário nutricional mais complicado.
"É complicado no sentido de que algumas comidas que têm muita gorduras saturadas parecem reduzir doenças cardíacas."
Segundo ela, há fortes evidências de que comer oleaginosas algumas vezes por semana reduz o risco de males do coração, apesar de conterem gorduras saturadas e insaturadas. A pesquisadora afirma ainda que as provas disso são menos fortes em relação a laticínios, e vê poucos problemas no consumo de manteiga e leite.
Mas, deixando de lado as questões cardíacas, de qualquer jeito, gorduras são ruins porque engordam, certo? Não necessariamente.
Um estudo recente produzido pelo Scandinavian Journal of Primary Health Care, intitulado "Alto consumo de gordura de laticínios ligado a menos obesidade" questiona essa relação.
No estudo, pesquisadores analisaram 1.589 suecos por 12 anos. Os que seguiram uma dieta baixa em gorduras – cortando manteiga, leite desnatado e cremes – tinham mais tendência a terem excesso de peso na região abdominal do que os que consumiam manteiga, leite A e creme de leite.
Uma das razões para isso pode ser o fato de que consumir gordura faz a pessoa se saciar rapidamente, então, quando ela é cortada da dieta, o que se faz é substituir (conscientemente ou não) calorias com outros alimentos. E frequentemtente essa substituição vem em forma de carboidratos como pão branco e massas.

Calorias

O que se está concluindo até o momento é que não está liberado comer frituras ou colocar creme em tudo, porque mesmo o coração não sendo prejudicado pelo consume de gorduras, já está provado que ele é sim afetado por uma alta ingestão de calorias.
"Acredito que a maioria das gorduras saturadas, especialmente a de alimentos processados, não são saudáveis", disse Michael Mosley. "Mas eu voltei a consumir manteiga, iogurte grego e leite semidesnatado, além de estar comendo muito mais castanhas, nozes, peixes e vegetais".

Fonte http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141014_alimentos_gordura_mdb

Abandonadas à sua sorte? Que é feito das liceais raptadas na Nigeria por Boko Haram?

2014-10-16 Rádio Vaticana


Seis meses após o rapto das mais de trezentas meninas nigerianas do Liceu de Chibok onde estudavam, nada se sabe delas.
As autoridades do país prometeram então tudo fazer para as libertar rapidamente das garras de Boko Haram, mas até hoje nada. Terão sido esquecidas, abandonadas? É a pergunta que se põe o jornal on line Afrik.com, fazendo notar que para denunciar a ineficiência das autoridades e reclamar a libertação das meninas, o movimento “Bring back our Girls” (tragam de volta as nossas meninas) criada após o rapto, previam uma manifestação terça-feira a fim de reclamar a sua libertação. Uma centena de membros do movimento programara uma marcha em direcção à residência do Presidente da Nigéria, Goodlukc Jonathan a fim de reclamar mais uma vez a libertação das meninas.
O jornal faz notar que desde que o rapto aconteceu a 14 de Abril passado, as autoridades nigerianas geriram muito mal o assunto, demonstrando a sua incapacidade em fazer face a essa situação bastante nebulosa. Os governantes nigerianos foram muito criticados no país, mas também a nível internacional, onde uma forte mobilização teve lugar em apoio das liceais e das suas famílias. Mesmo a primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama deu, desde o início, o seu apoio a esta causa através das redes sociais, aderindo ao movimento “Bring Back our Girls”.
Muitas outras personalidades nos quatro cantos do globo manifestaram a sua indignidade em relação ao rapto dessas meninas. Muitas marchas foram organizadas e, no plano logístico, as potencias ocidentais, como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França ajudaram, cada um à sua maneira, a procurar as meninas, mas em vão.
Se algumas meninas raptadas conseguiram fugir, que é feito das outras? - interroga-se Afrik.com. Seis meses após o rapto, as mobilizações internacionais para a sua libertação amainaram progressivamente a bandeira. Sabendo que elas correm o risco de ser vendidas como escravas, feitas esposas dos membros de Boko Haram, ou mesmo violadas, este silencio em volta da sua sorte leva a crer – remata Afrik.com – que as liceais de Chibok estão abandonadas à sua sorte…