sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Para estudo, proteína de beterraba pode substituir sangue humano

Pippa Stephens


thinkstock
Pesquisa levanta possibilidad de adaptar proteína da beterraba para uso em humanos
Uma proteína encontrada na beterraba poderia ser usada para substituir o sangue humano, de acordo com pesquisadores suecos.
A hemoglobina vegetal presente no legume é similar à hemoglobina presente no sangue humano. A proteína, que confere ao sangue a sua cor avermelhada, tem como função principal transportar oxigênio para os tecidos.
A equipe da Universidade de Lund, na Suécia, está investigando se seria possível modificar a substância da beterraba para que ela possa ser absorvida pelos tecidos humanos.
Os cientistas dizem acreditar que isso pode ser conseguido dentro de três anos. Um especialista ouvido pela BBC, no entanto, comentou que apesar de "animador", o estudo só deve trazer resultados concretos "no longo prazo".
Os suecos basearam seu estudo em um trabalho anterior, publicado pela revista científica Plant & Cell Physiology, que concluiu que a hemoglobina vegetal tinha um papel fundamental no desenvolvimento da planta.
Um dos integrantes da equipe, Leif Bulow, disse que o objetivo do grupo era encontrar uma solução para o problema da escassez de sangue.
O sangue produzido a partir da proteína da beterraba poderia ser usado, por exemplo, em transfusões de emergência (por exemplo, em pacientes que perderam muito sangue após um acidente) ou em tratamentos para câncer e doenças do sangue.

Similaridade

Durante o estudo, a proteína da planta se comportou de maneira similar à hemoglobina encontrada no cérebro - e apresentou uma estrutura similar, acrescentou Leif Bulow.
Nelida Leiva, que chefiou a pesquisa na Universidade de Lund, disse que a proteína da planta tem entre 50% e 60% de similaridade com a hemoglobina encontrada no sangue humano, mas é mais "robusta".
Ela disse que o trabalho levanta duas possibilidades: adaptar a proteína da planta para uso em humanos e usar plantas para produzir hemoglobina humana.
O próximo passo, diz a equipe, seria modificar a proteína da planta para ver se ela seria aceita por porcos e, depois, por tecidos humanos.
Comentando o estudo sueco, o cientista britânico Denis Murphy, chefe de Genômica na University of South Wales, em Cardiff, País de Gales, disse à BBC: "O estudo é bom, baseado em ciência feita com rigor, e descreve uma descoberta importante".
"Embora saibamos há várias décadas que plantas produzem proteínas similares à hemoglobina, esse estudo mostra que (essas proteínas) são mais comuns e estão envolvidas em mais processos fisiológicos do que pensávamos".
Ele acrescentou, no entanto, que a ideia de usar essa proteína para substituir a hemoglobina humana era especulação, algo possível muito a longo prazo.

Fonte http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141106_beterraba_proteina_sangue_estudo_mv

Semana da solidariedade - Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

2014-11-07 Rádio Vaticana
Belo Horizonte (RV)

A Cáritas Brasileira promove a Semana da Solidariedade, de 7 a 14 de novembro, no amplo contexto da campanha mundial inspirada pelo tema “Uma família humana: pão e justiça para todas as pessoas”. Com simplicidade, está feito o convite à reflexão sobre a realidade da fome e da pobreza no Brasil. Essa pauta tem relevante significação cidadã e indispensável força educativa. A vivência desta Semana da Solidariedade é “oportunidade de ouro” para qualificar a insubstituível sensibilidade social que deve temperar a cidadania. Um tempero que precisa ser renovado no coração dos adultos, cultivado no coração das crianças, na mente e nas convicções dos jovens. Não investir no compromisso com a solidariedade produz lacunas muito sérias nos cenários sociais.
O consequente tratamento inadequado e equivocado da natureza, gerando prejuízos e catástrofes muito sérias e a escassez de bens vitais, é uma das consequências da falta de solidariedade que, infelizmente, caracteriza certos comportamentos sociais e políticos. Sabe-se que a sociedade é edificada por instituições e organizações, articulações e contribuições técnicas de todo tipo. No entanto, se o sentido nobre de solidariedade for desconsiderado, as muitas dinâmicas tornam-se fadadas ao fracasso e surgem descompassos diversos, que pesam sobre os ombros de todos, particularmente dos mais pobres e indefesos.
A solidariedade é bem vital e determinante dos rumos da sociedade e, por isso, torna-se indispensável que todos busquem caminhos para superar um gravíssimo problema: o desperdício de alimentos. A Semana da Solidariedade começa no Dia de Mobilização Nacional de Combate à Fome e à Pobreza, 7 de novembro, data que busca a união de todos contra o desperdício e incentiva o apoio à agricultura familiar. A mobilização também pede a efetivação de políticas públicas que garantam o direito à alimentação. Um caminho de grande importância, que inclui metas, exige entendimentos e ações para superar contradições que prejudicam a justiça.
Aqui se desenha um cenário com enormes desafios e exigências, indicando o quanto é necessário aprimorar o tratamento da realidade e a aplicação das políticas públicas. A complexidade dessa realidade não pode justificar indiferenças, desconhecimento e pouco empenho para realizar mudanças que, ao serem adiadas, retardam a urgente e necessária superação da miséria que pesa ainda sobre os ombros de muitos. Ainda que a ONU divulgue que o Brasil está fora do mapa mundial da fome, tendo-a reduzido em 50%; e a extrema pobreza, em 75%, além de ter alcançado a meta dos objetivos de desenvolvimento do milênio com mais de um ano de antecedência, há um exigente caminho a ser percorrido. Este percurso inclui políticas públicas mais audaciosas e emancipatórias, como também não pode dispensar o sentido cidadão de solidariedade que deve mover a mente e o coração de cada pessoa.
As estatísticas não podem permitir acomodação e tranquilidade diante da meta atingida. Enquanto houver um irmão passando fome no Brasil, ou em qualquer canto do mundo, a consciência cidadã deve doer. É muito fácil não se deixar incomodar. Até porque nem sempre se vê, ou até se sabe, a respeito dos que passam fome e são vítimas de injustiças. Apesar dos muitos avanços, ainda temos regiões, não tão longe de nós, convivendo com a fome. Segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de indigentes no país cresceu de 10,08 milhões, em 2012, para 10,45 milhões no ano passado. Trata-se de um aumento de 3,7%, o primeiro desde os 10% de 2003. No mundo, 805 milhões de pessoas - uma em cada nove - sofrem de fome crônica, segundo o relatório “O Estado da Insegurança Alimentar” da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Para superar as situações de miséria não bastam ações aleatórias, as iniciativas políticas estratégicas, transformadoras e emancipatórias, precisam ser fundamentadas pelo compromisso cidadão e cristão de combater o desperdício. O volume de alimentos produzidos no Brasil, por exemplo, é 25% superior à necessidade de toda a população do País. Em todo o mundo, segundo as Nações Unidas, cerca de um terço de todos os alimentos produzidos é perdido ou desperdiçado, volume equivalente a mais de 1,3 bilhão de toneladas de comida – e a cerca de um trilhão de dólares, o suficiente para alimentar 870 milhões de pessoas. O modelo de produção, beneficiamento e outros aspectos somados ao desperdício, responsabilidade de cada indivíduo e das instituições, perpetuam a vergonhosa realidade da fome. Sendo assim, cada um é convidado a disciplinar-se, dia a dia. É preciso utilizar os bens da criação na medida necessária, sem excessos.
Compreender a solidariedade como princípio ordenador de instituições e da conduta cidadã elava a capacidade para transformar o que é urgente mudar. E esse entendimento do que é, de fato, solidariedade, levará os cidadãos a terem clareza do débito de cada um para com a sociedade. Que o horizonte desafiador da fome inspire a vivência desta Semana da Solidariedade, para gerar novas posturas e ações. De modo especial, que cada um desperte para o compromisso efetivo com a solidariedade, em gestos grandes e pequenos. Trata-se de nobre sentimento, o único remédio capaz de devolver e manter equilíbrios na sociedade contemporânea.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Papa Francisco e as condições precárias do sistema prisional brasileiro.

2014-11-06 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV)
Melhorias nas condições carcerárias, críticas à prisão preventiva e fim da corrupção: num discurso a um grupo de juristas da Associação Internacional de Direito Penal, em 23 de outubro passado, Papa Francisco tocou em temas que dizem respeito diretamente ao sistema carcerário brasileiro.
“Toda aplicação da pena – afirmou – deve ser feita de modo gradual, sempre inspirada no respeito à dignidade humana”.
Para o Papa, enfraqueceu-se também o debate sobre a substituição do cárcere com outras sanções penais alternativas”. O Papa definiu, por exemplo, o recurso à prisão preventiva uma “forma contemporânea de pena ilícita oculta”, selada por um “verniz de legalidade”, no momento em que produz a um detento não condenado uma “antecipação da pena” de forma abusiva.
Disso – observou – deriva quer o risco de multiplicar a quantidade dos “reclusos sem julgamento”, ou seja, “condenados sem que sejam respeitadas as regras do processo” – e em alguns países são 50% do total – quer, num efeito dominó, o drama das condições de vida nos cárceres: condições degradantes e tortura.
“As deploráveis condições de detenção que se verificam em várias partes do planeta constituem muitas vezes um autêntico traço desumano e degradante, muitas vezes produto das deficiências do sistema penal, outras vezes, da carência de infraestruturas e de planejamento, enquanto em muitos casos são nada mais que o resultado do exercício arbitrário e impiedoso do poder sobre pessoas privadas da liberdade”.
As palavras do Pontífice se chocam com uma mentalidade difusa no Brasil de que é justo que um bandido pague sua pena em situação degradante, inclusive com sua própria vida.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Aldeia de Serra Leoa perde 10% da população para o ebola

Andrew Harding

A quatro horas de viagem ao norte de Freetown, a capital de Serra Leoa, a aldeia de Kigbal se transformou no epicentro de um novo surto de ebola no país.
Segundo autoridades de saúde locais, 30 pessoas morreram vítimas do vírus nos últimos dias em Kigbal. Isso equivale a 10% da população da aldeia.
A reportagem da BBC chega ao vilarejo por uma estrada de asfalto perfeito, que divide Kigbal ao meio. No lado direito, 30 crianças estão de pé, aglomerando-se à sombra de uma árvore.
"Viemos para este lado para ficar mais seguros", diz Mabinti Kamara, de 14 anos.
"Um monte de gente morreu ali. Eles levaram meu pai. Não sei o que aconteceu com ele", diz a menina.
Crianças em Kigbal
Isolamento de doentes de ebola no vilarejo de Kigbal é precário e não há garantia de que contágio possa ser controlado
Perguntamos às crianças se algum deles perdeu parentes para o ebola. Em silêncio, quase todas levantam as duas mãos. Várias parecem febris.

'Corpos em toda parte'

É fácil entender por que as crianças foram para o outro lado da rua. Do lado oposto estão uma mulher e uma criança, praticamente ocultas pela sombra de uma árvore.
"Minha cabeça está girando", diz Adamsay Kamara, com a voz fraca, ao ver que atravessamos a rua para ficar perto dela.
"Ela está com ebola, não podemos chegar perto", avisa Alimamy Baymaro Lamina II, líder tribal em Kigbal.
Horas antes, o líder explica, uma equipe funerária tinha vindo à aldeia coletar corpos caídos na entrada dos casebres.
"Os corpos estavam em toda parte. Todos naquelas casas estão mortos".
Mulheres doentes em Serra Leoa
Vulnerabilidade de crianças é uma das grandes preocupações das autoridades sanitárias em Serra Leoa
Alguns metros adiante, um idoso está de pé fora de sua casa, gritando para chamar nossa atenção.
"Por favor, curem ela", diz Momo Sessey, apontando para sua mulher, Fatu Kanu, deitada num banco de mandeira. Ela está tossindo.
"Estou com medo dela e não quero tocá-la. Por favor, levem-na para o hospital".
Damos a ele alguns pares de luvas de borracha e o aconselhamos a dar água para a mulher.
"Quente ou fria", Sessey pergunta.

Frustração

Crianças em Kigbal
Crianças levantam os dois braços quando perguntadas quem delas perdeu um parente em Kigbal
Lamina II apenas balança a cabeça e se afasta, sem esconder sua frustração.
"Essa situação me deixa extremamente zangado. Tenho pedido constantemente ajuda à Organização Mundial de Saúde e ao Programa Alimentar Mundial", queixa-se.
"Eles dizem que vêm ajudar, mas até agora ninguém apareceu."
Serra Leoa é o país mais afetado pela epidemia do ebola. Dos 4.951 casos de morte registrados até agora, quase metade deles (2.413), ocorreram no país.
Há frustração com o ritmo lento dos esforços internacionais humanitários na região.
Recentemente um profissional de saúde levou sete crianças vulneráveis de Kigbal para uma área mais distante da aldeia, para tentar oferecer condições de quarentena melhores que apenas o outro lado do asfalto.
"Minha cabeça está doendo", diz Alusin, de seis anos, antes de voltar a sentar com as outras crianças sob a sombra.
Ao lado delas, dois adultos - um deles tossindo violentamente -, estão deitados no chão.

Fonte http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141104_serra_leoa_ebola_fd

Aplicativo "Fome Zero" quer saciar a fome e evitar desperdícios

2014-11-04 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV)

Está sendo lançado na Itália um aplicativo para smartphones que pode oferecer boa alimentação aos pobres e os indigentes. O projeto contra o desperdício de alimentos se intitula "Fome Zero" e tem o apoio da Secretaria de Estado do Vaticano, na pessoa do sacerdote espanhol Mons. Francisco Frojan Madero, e do governo italiano. A iniciativa começará no próximo dia 8 de dezembro, simultaneamente à iluminação de uma grande árvore de Natal na Praça de Espanha, em Roma.
Usando o aplicativo, será “criada uma ponte direta e imediata entre os que têm mais comida e aqueles que nada têm ou que conseguem fazer refeições com dificuldade”. A campanha envolve três tipos de usuários, divididos por categorias: doadores, anjos e centros. Os primeiros são os que fornecem a alimentação; os “anjos” aqueles que a entregam, e os “centros”, os lugares físicos mais próximos dos doadores. O objetivo é criar um espaço no qual os pobres possam conseguir comida gratuita.
“Por exemplo - disse Mons. Frojan na coletiva de imprensa de apresentação, na sede do governo italiano, Palácio Chigi - imaginem que vocês deram uma festa em casa e que sobram as latas de atum. É possível compartilhar informações pela internet, usando o nosso aplicativo. O “anjo” chegará na mesma noite e o alimento será imediatamente entregue a alguém que tenha necessidade”.
A campanha também recebeu a aprovação do cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga, Presidente da Caritas Internacional, que destacou a importância do projeto em escala global. A Caritas colocou à disposição seus postos de Roma como “centros” da campanha.

domingo, 2 de novembro de 2014

O que a Igreja diz sobre a esterilização no controle de natalidade

Vasectomia no homem e laqueadura ou ligadura de trompas nas mulheres. O que dizer desses procedimentos de esterilização?
A esterilização pode ser entendida como ato ou efeito de tornar-se infértil, infecundo e improdutivo, permanecendo incapaz de procriar de maneira usual. Nos seres humanos, a esterilização consiste no ato de empregar técnicas especiais, cirúrgicas ou não, no homem e na mulher para impedir a fecundação. Esse procedimento pode ser classificado como eugênico, terapêutico, estético e de controle de natalidade. O método é usado para atender às necessidades terapêuticas e contraceptivas dos seres humanos; atualmente, é o contraceptivo mais utilizado no mundo. Importante considerar que esse processo é permanente, irreversível. Nesse caso, temos como métodos esterilizantes a vasectomia no homem e a laqueadura ou ligadura de trompas nas mulheres, que provocam a infecundidade permanente.
O que a Igreja diz sobre a esterilização no controle de Natalidade -940x500
O que se deve dizer da moralidade dos procedimentos de esterilização? A Igreja Católica avalia como moralmente inaceitável toda esterilização especificamente direcionada para a contracepção ou o impedimento da gravidez. “A esterilização direta, isto é, aquela que tende a tornar impossível a procriação como fim e como meio, é uma violação grave da lei moral e, por conseguinte, ilícita”1.
A esterilização da faculdade generativa é proibida por um motivo ainda mais grave, pois produz na pessoa um estado de esterilidade quase sempre irreversível. Nem pode ser invocada nenhuma disposição da autoridade pública, que procure impor a esterilização direta como necessária para o bem comum, pois essa destrói a dignidade e a inviolabilidade da pessoa humana. (…) Essa esterilização está absolutamente proibida 2.
“A regulação da natalidade representa um dos aspectos da paternidade e da maternidade responsáveis. A legitimidade das intenções dos esposos não justifica o recurso a meios moralmente inadmissíveis (por exemplo, a esterilização direta ou a contracepção)”3. Portanto, deve-se ainda excluir toda ação que, ou em previsão do ato conjugal ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação. Deve-se excluir igualmente, como o Magistério da Igreja declarou muitas vezes, a esterilização direta, perpétua ou temporal, tanto do homem como da mulher”4.
Esterilização como meio terapêutico
Entende-se esterilização indireta ou terapêutica as exigidas especificamente para a preservação imediata da saúde ou vida da pessoa que enfrenta uma patologia que, de algum modo, envolve o sistema reprodutor. Por exemplo: ovários, úteros ou testículos cancerosos podem ser removidos.A Igreja, por outro lado, não considera ilícito o recurso aos meios terapêuticos, verdadeiramente necessários para curar doenças do organismo, ainda que daí venha a resultar um impedimento, mesmo previsto, à procriação, desde que tal impedimento não seja, por motivo nenhum, querido diretamente. “Embora o homem tenha direito à integridade física, quando a conservação ou funcionamento de algum órgão ou membro constitui direta ou indiretamente uma séria ameaça para todo o corpo, podem ser amputados ou reduzidos à incapacidade de funcionamento se não se dispõe de outros meios (esterilização terapêutica)”5. E ainda, “(…) fora das indicações médicas de ordem estritamente terapêutica, as amputações, as mutilações ou esterilizações diretamente voluntárias de pessoas inocentes são contrárias à lei moral”6.
Leia mais:
Referências:
1. PIO XII, Alocução ao Congresso da União Católica Italiana das Parteiras, 29 de outubro de 1951, em AAS 43 (1951), pp. 835-854.
2. Cf SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Resposta sobre a esterilização nos hospitais católicos, Quaecumque sterilizatio. AAS, 68 (1976). 13 de março de 1975.
3. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 2399.
4. PAULO VI, Carta Encíclica Humanae Vitae, sobre a regulação da natalidade. n. 14.
5. PIO XII, Alocução aos Participantes do Congresso de Associação Italiana de Urologia, de 8 de outubro de 1953, em AAS 45 (1953), pp. 674-675; AAS (1958) pp. 734-735.
6. CEC, 2297.

Padre Mário Marcelo Coelho

Mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG), padre Mário é também licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque (SC) e bacharel em Teologia pela PUC-RJ. Mestre em Teologia Prática pelo Centro Universitário Assunção ( SP), o sacerdote é autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral; além de professor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP).

Tetracromatismo: as mulheres que enxergam cores 'invisíveis'


Em tese, só as mulheres têm possibilidade de ter tetracromatismo
A professora americana Concetta Antico passou anos levando seus alunos de arte para o mesmo parque. Ela costumava perguntar a todos: "Vejam a luz na água, vocês conseguem ver o rosa brilhando naquela rocha? Ou o fio vermelho naquela folha?"
Só depois de muitos anos que ela descobriu que seus alunos estavam apenas respondendo "sim" por educação. Ninguém via as mesmas cores que ela.
Ela sofre com uma condição conhecida como tetracromatismo. Graças à variação de um gene que influencia no desenvolvimento das retinas, pessoas como Antico veem cores invisíveis para a maioria de nós.
Um exemplo é uma trilha cheia de pedras. Para a maioria, ela é cinza e sem graça. Para Antico, o caminho parece mais uma vitrine de joalheria.
"As cores das pedras 'saltam' em tudo que é direção, com laranjas, amarelos, verdes, azuis e rosas. Eu fico espantada quando descubro que os outros não veem isso", diz ela.

Cones e daltonismo

Tetracromatismo é uma condição rara.
Pinturas de Concetta Antico mostram como ela vê as cores diferente dos demais
Por muito tempo, acreditava-se que todos percebiam as cores da mesma forma. Quase todos possuem três tipos de cones, que são células na retina. Cada tipo responde a uma frequência diferente de cor.
Daltônicos possuem um defeito em um dos cones, e por isso têm dificuldade de distinguir entre algumas cores, como verde e vermelho, por exemplo.
Alguns animais são dotados com um "quarto cone". É o caso de peixes dourados e o pássaro diamante-mandarim. Esses animais provavelmente conseguem distinguir melhor as nuances entre as cores.
Há 20 anos, os cientistas Gabriele Jordan, da Universidade de Newcastle, e John Mollon, de Cambridge, levantaram a hipótese de humanos poderem fazer isso.
Condição especial fez Antico se destacar no mundo das artes
A hipótese é baseada no fato de o cromossomo X carregar dois tipos de cones - que percebem o vermelho e o verde. Como as mulheres possuem dois cromossomos X, elas poderiam, em tese, carregar quatro cones diferentes, cada um sensível a um espectro de cores diferentes. Essa hipótese dos quatro cones que deu origem ao termo "tetracromatismo".
Em tese, ela só se aplica a mulheres, já que os homens não possuem dois cromossomos X.

'Ir no supermercado é um pesadelo'

Provar essa hipótese dos cientistas foi uma jornada longa de duas décadas. Jordan e Mollon passaram anos administrando um teste de cores em vários voluntários. As cores apresentadas tinham diferenças tão sutis que apenas uma pessoa com quatro cones poderia percebê-las.
Em 2010, eles finalmente acharam uma pessoa capaz de fazer isso. A identidade dessa pessoa foi preservada, mas a pesquisa publicada fez com que vários outras pessoas com tetracromatismo se voluntariassem para outros estudos.
Uma delas é Maureen Seaberg, uma jornalista americana que passou anos reclamando das roupas que as pessoas usavam. Ela achava que muitas pessoas não sabiam combinar bem uma saia com uma blusa, por exemplo. Ao reformar sua casa, ela rejeitou 32 tipos de tintas diferentes até achar a ideal.
"O bege era amarelado demais, e não tinha tons azuis o suficiente; o amêndoa era alaranjado demais", conta ela. Esse tipo de descrição só confundia os seus decoradores e arquitetos.
Com cone extra nos olhos, diferentes tons de cores são percebidos
Antico conta que sempre soube que tinha uma visão especial e diferente da dos demais. Justamente sua sensibilidade aguçada a levou ao mundo das artes. Hoje ela é dona de uma galeria em San Diego, na Califórnia.
Suas pinturas são vibrantes em cores. Um eucalipto comum vira uma erupção de violetas, amarelos e verdes. Se os quadros realmente são uma representação de como ela vê o mundo, o resultado mostra que sua percepção é radicalmente diferente da maioria das pessoas.
Foi um cliente da galeria que sugeriu que ela fosse trabalhar com a cientista Kimberly Jameson, da Universidade da Califórnia. Jameson imediatamente suspeitou que a resposta estava nos genes.
O ganho em sensibilidade - apesar de parecer ser uma habilidade extra - pode também ser uma maldição.
"Ir ao supermercado é um pesadelo. É como uma lata de lixo de cores pulando de tudo que é lado", conta. Por isso, sua cor preferida é o branco.
"As pessoas acham incrível que minha cor favorita seja o branco, mas isso faz sentido porque ela é pacífica e agradável aos olhos. Ainda tem bastante cor presente ali, mas elas não me agridem."
Antico e Jameson querem criar um sistema de treinamento com crianças com tetracromatismo, para que elas aprendam a usar melhor seu potencial raro.
Como professora de arte, Antico tem uma ambição ainda maior: a de mostrar aos demais como ela enxerga o mundo. Sem o gene extra, é impossível que as pessoas consigam as cores que ela enxerga. Mas ela trabalha descrevendo os diferentes tons a quem não consegue enxergá-los.
Isso se tornou ainda mais importante depois do nascimento de sua filha. A artista americana que possui um dom raro não conseguiu passar esses genes a sua filha. E curiosamente o oposto aconteceu: a filha nasceu com daltonismo.

Fonte http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141029_vert_fut_cores_dg